18
mar
08

A grande arte e a dor – Nirvana, Kurt Cobain e Beatles

A relação entre os ícones do grunge e os reis do iê-iê-iê

Pode parecer difícil enxergar qualquer relação entre o Nirvana – grande expoente do fenômeno musical da década de 90 intitulado grunge – e os Beatles – a banda mais importante da história do rock -, mas esta relação esteve presente durante toda a trajetória do Nirvana e especialmente por toda a vida de Kurt Donald Cobain, o polêmico vocalista, guitarrista e principal compositor da banda. Cobain expressou em suas músicas e atitudes os sentimentos de toda uma juventude revoltada e angustiada, e por isso é considerado por seus admiradores como o maior ícone e poeta da cultura americana dos últimos tempos. Os Beatles invadiram a vida de Kurt desde sua infância, vivida em Aberdeen, EUA, por meio de tias e tios que eram grandes fãs dos Fab Four. A gravação que foi provavelmente a primeira de Kurt foi exatamente de um grande sucesso dos Beatles, “Hey Jude”. Sua tia Mary sempre lembrará de Kurt como a criança fã de Beatles e Monkees, o menino que ficou altamente impressionado com a “capa do açougueiro”, de “Yesterday and Today”, e que sempre pôde ser encontrado mexendo com imensa curiosidade nos vinis da família.

Empurrado de parente em parente, Kurt foi morar aos 15 anos com seu tio Jim, que apesar de descuidar das necessidades do sobrinho, era um grande colecionador de discos, e, como sempre, os vinis dos Beatles estavam entre os favoritos de Kurt, além de outras grandes bandas como Led Zeppelin e Grateful Dead. Uma das primeiras canções de Cobain, “About a girl” – grande sucesso do Nirvana – foi confundida durante um bom tempo pela platéia dos shows como uma canção dos Beatles. Kurt disse ao amigo Steve Shillinger que, no dia em que compôs a canção, ouviu “Meet the Beatles” durante três horas, para entrar no clima. Mesmo que fossem considerados passé nos círculos punk, os Beatles foram peça fundamental no crescimento de Cobain como compositor, além de uma constante nas fitas mixadas que enviava como presente a amigos. Mesmo em artigos sarcásticos que ele escrevia sobre sua própria banda, Kurt não deixava de citar os quatro rapazes de Liverpool como influência pessoal. Disse também, anos mais tarde, que uma de suas primeiras decepções ocorreu quando descobriu, em 1976, que os Beatles haviam se separado seis anos antes. A separação sempre causara um grande sofrimento a Kurt, e foi tema principal de sua canção “Serve the Servants”, aonde fala sobre o divórcio de seus pais. Em seus diários, Cobain fazia listas de seus álbuns favoritos, aonde “Meet the Beatles” nunca deixou de constar. Kurt decorou a casa aonde morou com sua primeira namorada firme, Tracy Marander, com pôsteres de rock que ele mesmo alterava, como um enorme cartaz dos Beatles que exibia então um Paul McCartney de óculos e cabelo afro.

A relação entre os Fab Four e o Nirvana não pára por aí. Assim como John Lennon, a figura mais divulgada dos Beatles, Kurt Cobain foi também uma figura extremamente polêmica. Ambos foram manipulados pela mídia, mas também souberam manipulá-la. Lennon e Cobain passaram por sérios problemas com drogas, sofreram com o desgaste da fama, foram pressionados pela indústria fonográfica e abusados por jornalistas gananciosos. Ainda assim, permaneciam sinceros a seus ideais, o que os tornava ainda mais polêmicos. Numa época em que os yuppies e artistas sem talento, construídos por puro marketing, imperavam, Kurt Cobain conseguiu passar a mensagem de que algo estava errado, e isso permanecerá eternamente marcado em suas letras, como na canção “Rape me”, em que dizia sentir-se psicologicamente estuprado pelas gravadoras e pela mídia, em especial pela rede americana MTV.

Assim como as poderosas redes de comunicação podem alçar um artista ao primeiro plano, podem destruir suas vidas a qualquer minuto, como fez a revista “Vanity Fair”, ao publicar uma reportagem sobre a vida pessoal e a dependência química que sofriam Kurt e sua controversa esposa, Courtney Love. Esta reportagem fez com que o casal perdesse a guarda de sua filha recém-nascida, Frances Bean Cobain. Ainda assim, Kurt permaneceu fiel à suas críticas à sociedade americana, explícitas em afirmações como “Censura é muito americana” – escrita em seus diários – e “Ei, quem sabe podemos viajar juntos pelos Estados Unidos e queimar bandeiras americanas no palco?” – escrito em 1991, numa carta a Eugene Kelly, dos Vaselines, de quem era grande fã. Lennon também foi crucificado por suas afirmações – os governantes dos Estados Unidos jamais esconderam seus esforços em extraditar o Beatle do país. Mesmo quando não queriam dizer nada sério, ambos eram severamente julgados. “Digo, eu gosto de ser apaixonado e sincero, mas também gosto de me divertir e agir como um idiota”, desabafou Cobain em seus diários.

Assim como John Lennon, porém em menores proporções, Kurt Cobain causou furor na mídia do Reino Unido. Antes de tocar uma versão curta do hit “Smells like teen spirit” no programa de televisão britânico The Word, Kurt agarrou o microfone e proferir a seguinte frase: “Eu só quero que todos nesta sala saibam que Courtney Love, do grupo pop Hole, é a melhor transa do mundo.” Milhões de espectadores engasgaram perante aquelas palavras. Desde que Lennon havia dito que os Beatles eram maiores do que Jesus Cristo, o público britânico jamais havia ficado tão indignado em relação a um astro da música. A intenção de Kurt com aquelas palavras, porém, era apenas informar Mary Lou Lord, sua namorada, que seu romance havia terminado e que seu novo amor era Courtney Love. Aliado às vendas fenomenais do álbum Nevermind, que impulsionou o Nirvana pelo mundo, suas afirmações de qualquer tipo estavam constantemente na primeira página dos tablóides.

Os outros integrantes do Nirvana, Krist Novoselic e Dave Grohl – respectivamente baixista e baterista – sempre foram fãs dos Beatles. Dave Grohl sempre teve especial admiração por George Harrison, a quem dedicou a música “Oh, George”, presente no primeiro CD de sua banda atual, os Foo Fighters. Ainda no começo da carreira, o Nirvana sentiu-se como se estivesse no filme dos Beatles “Os reis do iê-iê-iê” (“A Hard Day’s Night”), ao ver um local aonde realizavam uma tarde de autógrafos abarrotado de pessoas sobre as prateleiras de discos. Neste dia, a banda fez um show de 45 minutos, que teve que acabar quando a multidão começou a esmagá-los. A proporção que aquilo havia assumido assustava principalmente Kurt Cobain. Isso fazia parte da ascensão de um mito, assim como aconteceu com os Beatles, em proporções muito maiores, na década de 60.

Assim como houve a ascensão, houve a queda do Nirvana e de Kurt Cobain. Como aconteceu com os Beatles, Kurt teve sérios problemas com drogas. Cobain era vítima de problemas familiares e psicológicos e afundava-se cada vez mais num caminho sem volta, a heroína. Este caminho tornava-se mais tortuoso à medida que a imprensa sensacionalista o divulgava e especulava, prejudicando cada vez mais a imagem e a vida pessoal de Kurt Cobain. Mesmo tentando a desintoxicação por diversas ocasiões, Cobain não conseguiu largar o vício.

Nascido em 20 de fevereiro de 1967, Kurt Donald Cobain morreu aos 27 anos, e com ele morria o Nirvana. Seu corpo foi encontrado por um eletricista em sua casa em Seattle, no dia 8 de abril de 1994. A morte, porém, pode ter ocorrido entre os dias 4 e 5 de abril. O laudo oficial da polícia atesta que Kurt suicidou-se com overdose de heroína um tiro na cabeça, embora muitas evidências tenham embasado teorias de assassinado, muitas bem fundamentadas. Kurt Cobain foi vítima de seu tempo e não só por isso, mas também por seu grande talento como compositor e artista, será eternamente lembrado por sua importância na cultura mundial e na grande influência que representa até hoje para muitos artistas.

Texto de Isabela Alzuguir (Fonte: clique aqui!)

A grande arte e a dor

Kurt Cobain. A angústia jovem. Ninguém a captou de forma tão contundente, na história recente do rock, quanto ele e seu Nirvana. Uma passagem de KC me comove particularmente. O acústico do Nirvana na MTV em Nova York. A bandinha de Seatle conquistara a capital do mundo. O palco decorado com flores que evocavam, premonitórias, um velório. A última música. A derradeira. Tell me where did you sleep last night. Entra na lista das maiores interpretações do rock. Talvez a maior. Tão absurdamente épica quanto Sid Vicious sublimemente afrontando e destruindo My Way com seus berros desafinados e maravilhosos a um só tempo. Onde você dormiu a noite passada, pergunta Cobain, primeiro com delicadeza, depois com um grito de dor devastadora. I’m going where the cold wind blows, diz ele. Vou para onde sopra o vento frio. Só a dor mais lancinante produz uma música e uma interpretação daquelas. Pediram ao Nirvana bis. Que voltassem ao palco lúgubre. Os companheiros de Cobain queriam retornar, li depois numa revista americana. Cobain pensou e disse não. Sabia que jamais conseguiria alcançar a grandeza a que chegara em Tell me where did you sleep last night. É lindo de ver na tevê: a música se encerra e imediatamente surgem os letreiros que anunciam o final. Jamais houve bis. Na dor aguda, que mais tarde o levaria a enfiar uma arma na boca e atirar, ele alcançara a grande arte. A grande arte nasce da dor das ilusões perdidas, não da alegria. É a glória e a miséria do artista.

Texto guardado há muito tempo, em um bloco de notas, e não lembro a autoria. =/

Anúncios

3 Responses to “A grande arte e a dor – Nirvana, Kurt Cobain e Beatles”


  1. 1 Bash
    2 de março de 2011 às 11:51

    Nirvana sem duvida é uma das maiores bandas que já passou pela terra,não perde muito pa para os Beatles.Sem dúvida,que se kurt ou jonh Lennon estivessem vivos,o rock de hoje não seria uma porcaria.Eles traçavam uma nova ideologia do que era música e sentimentos.
    Na época deles existia ROCK AND ROLL de verdade e a porcaria do Pop nao dominava as paradas músicais e nem a MTV…

    PESSO A TODOS OS VERDADEIROS FÃNS DO ROCK AND ROLL QUE NUNCA SE ESQUEÇAM DE BANDAS
    COMO RAMONES,NIRVANA,BEATLES,SEX PISTOLS, THE DOORS ELVIS,BLACK SABBATH,E LED ZEPPLIN,
    (ETC)… PORQUE FORAM ESSAS BANDAS QUE FIZERAM O MOTIVO DE NOSSAS VIDAS O
    ROCK AND ROLL

  2. 2 renato(boi)
    20 de fevereiro de 2009 às 09:03

    que porra è essa cade o vidio da entrevista

  3. 3 janis joplin
    20 de outubro de 2008 às 08:49

    KURT COBAIN,NIRVANA SEGUIRA VIVO PARA SEMPRE!
    ELE VEM NO CORPO,NA MINHA ALMA,NO MEU CORAÇAO,ELE VEM DE DENTRO DE TODO MEU SER,SOMOS EXPERIENTES NAS PALAVRAS E SINCEROS NO AMOR…ACREDITAMOS DO OUTRO LADO,A VIDA TEM QUE SEGUIR,ESTAMOS AQUI,AQUI FICAREMOS,SOU EU KURT COBAIN NIRVANA SEMPRE VOU PODER FALAR,AMO TODOS VOÇÊS…..TE AMO,TE AMO,NIRVANA,FRANCES BEAN Y COURTNEY,I LOVE YOU FOREVER!


Deixe seu relatório investigativo, ou mande beijo; dê seu palpite, ou bronca. Mas fale sério comigo!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


Leitores do Blog:

  • 4,964,474 Visitantes

Visitantes Online

visitor stats

Seguir Fastlove:

Siga-me no Facebook

Dona do Blog:

Quem sou eu?
Aspiro com o dia em que não incomodarei as pessoas com minha sinceridade. No dia em que as pessoas não terão medo e nem vergonha de expor sua essência – dizer o que realmente pensam e querem. O fim da hipocrisia, do sujeito oblíquo. Com calma caminho em busca de um futuro melhor, e não espero por coisas fáceis. Sou chata, brega, amiga, leal, fiel, prestativa, distraída, esquecida, impulsiva, falante, extravagante, extrovertida, medrosa, extremamente ansiosa, normalmente curiosa e tolerante, as vezes envergonhada. Mensageira da esperança, da palavra amiga. Admiro quem anda sozinho, mas não consigo. Fico feliz quando vejo um sorriso, quando o sonho se torna realidade mesmo q não seja meu. Satisfeita ao ver um casal de velhinhos em um restaurante, de mãos dadas. Choro quando assisto TV, quando sofro decepção, quando decepciono alguém e por saber que o mal está solto. Mas tranquila e muito feliz por saber que acima de tudo Deus existe, que é Amor, Justo, Fiel, Onipotente e Onipresente. Não tenho a família de meus sonhos, porém tenho força de vontade para criar uma, todos os passos são cuidadosamente analizados e percebo hoje que estou em uma posição muito a frente dos meus sonhos mais simples. Com a Graça de Deus Celestial. E com a certeza que Deus nunca me abandonou! Com a benção Dele, sinto que realizarei e viverei mais que sonhos. Desejo ver meus filhos crescer e que sejam felizes, ter mais filhos e adotar quando possível. Quero uma família grande, unida e repleta de paz e amor. Desejo que as pessoas conheçam a Paz, o Amor e o Poder que somente nosso Deus tem e pode nos dar. Desejo uma casa, no quintal: animais e um pé de jambo. Bem longe do Rio de Janeiro. Mas Deus sabe o que é melhor para mim. Afinal, sou mais que uma vencedora! Fui escolhida em uma corrida de milhões, fui vitoriosa e gerada. Gerei filhos saudáveis e lindos, perfeitos aos olhos de Deus, aos meus olhos... e verdadeiros Presentes Divinos em minha vida.

Twitter

Calendário do Blog

março 2008
D S T Q Q S S
« fev   abr »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

Buscar Arquivos do Blog

Casos Arquivados

Categorias do blog

Member of The Internet Defense League

RSS Frases Pensador


%d blogueiros gostam disto: